Como identificar e tratar a ansiedade?

“Prisioneira da minha própria mente. Estimuladora de meus próprios pensamentos. Quanto mais eu penso, pior é. Quanto menos eu penso, pior é. Apenas respire. Vá com o fluxo. Vai melhorar. “
“É estranho – no fundo do seu estômago. É como quando você está nadando e você quer colocar os pés no chão mas a água é mais funda do que você imaginava. Você não consegue tocar o fundo e o seu coração pulsa mais forte.”


Quem, ao ler estes relatos, identificou sentimentos e pensamentos semelhantes?

Eles são da fotógrafa norte-americana Katie Crawford que lutou, durante anos com o Transtorno de Ansiedade e a Depressão. Ela aproveitou suas próprias experiências e sentimentos e realizou um projeto fotográfico chamado My Anxious Heart (“Meu Coração Ansioso”, em português). Neste projeto, através de fotografias sensíveis e criativas, tenta expressar como se sente e como a ansiedade e a depressão podem afetar a qualidade de vida das pessoas.

Inicialmente, vamos definir o termo ansiedade.

No dicionário, o significado é “grande mal-estar físico e psíquico; aflição, agonia; desejo impaciente, inquietação...”

Quem nunca sentiu estes sintomas em menor ou maior grau? Quem nunca se sentiu apreensivo diante de uma prova? Ou, no dia antes de um exame médico ou uma consulta? Ainda, diante do seu primeiro encontro romântico com a pessoa que você está apaixonado? Percebe que a ansiedade nos acompanha frente a situações tanto boas quanto difíceis.

Portanto, é uma reação natural de uma pessoa diante de uma situação que gera grande expectativa. Ela é uma característica biológica tanto de seres humanos quanto de outros animais, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, sendo marcadas por sensações corporais diversas. Estas, incluem vazio no estômago, medo intenso e indefinido, aperto no peito, transpiração excessiva, pensamentos ruins, insônia e muitas outras alterações associadas a disfunção do sistema nervoso autônomo.

E como diferenciar uma ansiedade normal de uma que precisa ser tratada?

Importante prestar atenção quando os sintomas ansiosos for percebido por meio de uma preocupação elevada, que se mantem por pelo menos seis meses, acompanhada de sintomas físicos (alguns citados acima), alterando e reduzindo a sua qualidade de vida. Dessa forma, deverá ser tratada com medicamentos e/ou acompanhamento psicológico.

Trazendo para o campo da oncologia, diante de um diagnóstico de câncer, doença que carrega um estigma de dor e sofrimento, repleta de preconceitos, é perfeitamente normal que a sua mente seja invadida por temores, incertezas, questionamentos, angústias que, podem levar a quadros ansiosos e depressivos. Alguns fatores, durante o tratamento, poderão contribuir para o aumento da ansiedade como, por exemplo, dor mal controlada, estados metabólicos anormais, medicamentos e até mesmo doenças produtoras de ansiedade como, por exemplo, síndrome de abstinência alcoólica.

Importante também considerar o seu histórico relacionado a transtornos ansiosos e depressivos pregressos, tratamentos já realizados... Estes poderão ser reativados neste momento de crise.

Portanto essas manifestações emocionais são normais mas, precisam ser avaliadas pelo médico e, por toda a equipe multiprofissional que esteja diretamente em contato com ele. Essa avaliação deverá ser feita de forma criteriosa e cuidadosa para que possam ser adotadas medidas eficientes causando o menor prejuízo ao paciente. Algumas técnica para a redução do estresse poderão ser bastante eficazes. Caso, não contribuam, talvez seja necessário a associação de medicamentos. Alguns exemplos são: ⦁ Yoga ⦁ Respiração diafragmática (consultar neste site um post sobre essa técnica) ⦁ Meditação ⦁ Relaxamento Muscular Em caso de crise de pânico, quando acontece um pico de ansiedade em que há descarga do sistema nervoso autônomo, causando sintomas de taquicardia, suor frio, tremores, desconforto respiratório e, associados a pensamentos negativos, podemos utilizar a Técnica 5,4,3,2,1. Ela consiste em olhar para o ambiente e seu entorno e nomear:

⦁5 coisas que podem ser vistas. Por exemplo: uma janela, um tapete, uma lâmpada etc. ⦁4 coisas que podem ser tocadas. Ex: a cadeira que você esteja sentado, uma pessoa que está ao lado, o chão em que se está pisando. ⦁3 coisas que podem ser ouvidas. Ex: uma música distante, o barulho do ar condicionado, alguém conversando. ⦁2 coisas que se pode sentir o cheiro. Ex: o perfume de alguém ou do ambiente, o cheiro de uma comida etc. ⦁1 coisa que se pode sentir o sabor. Algo que esteja perto que você pode imaginar o sabor, por exemplo. Essa técnica permite se distrair dos sintomas, trabalhando a concentração e o tempo presente. Na crise de pânico ou quando se está muito ansioso é comum que se dê muita atenção ao próprio corpo e aos sintomas presentes. Com esta técnica o foco muda do corpo para o ambiente e os sintomas tendem a diminuir.

Voltando ao início do texto, onde coloco fotos e relatos de um ensaio que pretendeu registrar e, principalmente, compartilhar angustias que só quem as vivenciam compreendem, convido você a tentar descobrir uma maneira de expressar seus sentimentos. Não tenha medo. Não se sinta “fraco”. A vulnerabilidade pode ser uma oportunidade de se abrir para experiências que lhe tragam propósito e significado à sua vida.


Adriana Paes – CRP 9093 Psicóloga e Mestre em Educação


Fonte: https://www.hypeness.com.br/2015/05/artista-mostra-em-12-retratos-emocionantes-a-luta-diaria-que-trava-entre-a-depressao-e-a-ansiedade/ https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1311323/ansiedade+normal+e+patologica.htm https://exame.abril.com.br/blog/gestao-fora-da-caixa/o-poder-da-vulnerabilidade/ http://www.oncoguia.org.br/

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